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Artigo · 04 de novembro de 2026

Google Ads para psicólogo: o que o Código de Ética permite

Alexandre Rocha
Alexandre Rocha Gestor de Tráfego Pago e Especialista em Google Ads

Pode. O Código de Ética Profissional do Psicólogo regula como o psicólogo divulga seus serviços, por qualquer meio, e não proíbe anúncio pago. O anúncio e a página precisam trazer nome completo e número do CRP, citar só títulos que você tem e técnicas reconhecidas, e não podem usar preço como propaganda, prometer resultado, se promover contra colegas nem ser sensacionalistas.

Psicólogo pode anunciar no Google Ads?

Pode. A regra que vale é o art. 20 do Código de Ética Profissional do Psicólogo, a Resolução CFP 010/2005, e ela começa assim: "O psicólogo, ao promover publicamente seus serviços, por quaisquer meios, individual ou coletivamente". O texto parte do princípio de que você vai divulgar o seu trabalho e diz como fazer isso. Em nenhum ponto ele separa anúncio pago de anúncio gratuito.

Li também a Nota Técnica CFP nº 1/2022, que orienta a categoria sobre publicidade nas redes sociais. Ela detalha preço, depoimento e trabalho voluntário, e também não proíbe link patrocinado. O que muda com o Google Ads não é a permissão, é o tamanho do texto: um anúncio de pesquisa tem pouco espaço, e é justamente nesse espaço curto que aparecem as frases que o CRP não aceita.

Por isso eu trato a norma como parte da montagem da campanha, e não como revisão no final. Quem escreve o anúncio pensando primeiro em clique costuma escrever exatamente o que o art. 20 veda.

O que precisa aparecer no anúncio e na página

A alínea "a" do art. 20 manda informar o nome completo, o CRP e o número de registro. Vale para o anúncio e vale para a página para onde ele leva. No anúncio, o caminho prático é usar uma das linhas de descrição para nome e CRP. Na página, eles entram no topo e no rodapé, onde quem chegou pelo Google confere antes de chamar.

As alíneas "b" e "c" limitam o que você pode dizer sobre você: só títulos e qualificações que você tem, e só técnicas e práticas reconhecidas ou regulamentadas pela profissão. Na prática, "especialista" só entra no anúncio quando existe o título de especialista. Escrever "psicóloga especialista em ansiedade" sem esse título é o erro mais comum que eu encontro em conta de psicólogo.

A página de destino pesa tanto quanto o anúncio. É nela que a pessoa decide se manda mensagem, e é ela que o CRP vai olhar se houver denúncia. Na página de Google Ads para psicólogos eu mostro como a campanha se encaixa nessa estrutura, do termo buscado até o contato.

As frases que o CRP não aceita

A alínea "d" proíbe usar o preço do serviço como forma de propaganda. A Nota Técnica 1/2022 dá os exemplos: preço social, atendimento social, desconto, pacote promocional, valor acessível e termos parecidos que falem de vantagem financeira. Ela também diz que cupom promocional e sorteio não são permitidos. Anúncio com "primeira sessão com desconto" cai aqui.

A alínea "e" proíbe previsão taxativa de resultado. Frases como "acabe com a ansiedade", "supere a depressão em poucas semanas" ou qualquer número de sessões prometido ficam de fora. A alínea "f" veta autopromoção em detrimento de outros profissionais, o que tira do anúncio "o melhor psicólogo da cidade". E a alínea "h" proíbe divulgação sensacionalista.

Um exemplo de como a mesma intenção fica dentro da regra: em vez de "Livre da ansiedade em 8 sessões", algo como "Psicoterapia para ansiedade, presencial e on-line". Os dois exemplos são ilustrativos. O segundo descreve o serviço e deixa a decisão com quem lê, que é o que a norma pede.

A regra não vale só para o título. O anúncio de pesquisa tem textos complementares, como os links para outras páginas do site e as frases curtas de destaque, e todos eles são divulgação do seu serviço. É comum o título estar dentro da regra e uma frase de destaque trazer "valor acessível" ou "resultados rápidos". Antes de publicar, eu leio cada um desses campos com o art. 20 do lado, do mesmo jeito que leio o título e a descrição. O mesmo vale para a página: um botão escrito "agende sua sessão com desconto" derruba uma campanha inteira que estava correta.

Depoimento, avaliação e foto de paciente

A Nota Técnica é direta: na publicidade, a psicóloga e o psicólogo não podem usar depoimentos de pessoas atendidas nem compartilhar depoimentos e fotos delas. Ela acrescenta que, com consentimento expresso e por escrito, o uso é permitido, mas não recomendado, por causa da exposição da pessoa atendida, em especial criança e adolescente.

Para o Google Ads, a conclusão prática é não levar depoimento para o anúncio nem para a página, mesmo quando o paciente autoriza. A Nota também lembra que diagnóstico, análise de caso ou orientação que identifique alguém fere o sigilo. Isso tira da campanha qualquer "caso de sucesso", por mais anônimo que pareça.

A avaliação que o paciente escreve por conta própria no Perfil da Empresa no Google é outra situação: o texto é dele, na plataforma do Google. O cuidado está em não republicar essas avaliações no site nem usá-las no anúncio, porque aí elas viram publicidade sua.

Como a campanha fica dentro da regra e ainda traz paciente

A norma limita o texto, não o alcance. A campanha de psicólogo funciona pelas buscas de quem já decidiu procurar ajuda: "psicólogo online", "terapia de casal", "psicólogo infantil" e as buscas com bairro ou cidade. Cada abordagem pede um grupo de anúncios próprio, com o texto falando do serviço, e não da promessa.

O outro lado é cortar quem não vai virar paciente. Busca por curso de psicologia, vaga, estágio e "atendimento gratuito" consome verba sem trazer agenda. A Nota Técnica considera inadequado o atendimento voluntário com a finalidade de captar cliente, então "consulta grátis" também não serve como isca.

Por fim, medição. Cada mensagem no WhatsApp e cada formulário precisam ser contados dentro da sua conta, para saber qual busca traz paciente. Se a dúvida é quem deve cuidar disso, escrevi sobre a diferença entre contratar agência ou gestor de tráfego, e a página de psicólogos mostra como eu monto essa operação.

Perguntas rápidas

Posso colocar o valor da sessão no anúncio?

Não como chamariz. A alínea "d" do art. 20 proíbe usar o preço como forma de propaganda, e a Nota Técnica CFP 1/2022 cita como exemplos preço social, desconto, pacote promocional e valor acessível. Cupom e sorteio também não são permitidos. O anúncio fala do serviço; o valor fica para a conversa com quem pergunta.

Preciso colocar o número do CRP no anúncio do Google?

O art. 20 manda informar nome completo, CRP e número de registro em qualquer meio de divulgação. No Google Ads, uma das linhas de descrição comporta essa informação, e a página para onde o anúncio leva deve trazer os dois de forma visível.

Posso anunciar como especialista em ansiedade?

Só se tiver o título de especialista. A alínea "b" do art. 20 limita a divulgação aos títulos e qualificações que o profissional possui. Sem o título, descreva o serviço, como psicoterapia para ansiedade, sem se apresentar como especialista.

Posso usar as avaliações do Google no anúncio ou no site?

A Nota Técnica CFP 1/2022 orienta a não usar depoimentos de pessoas atendidas na publicidade e diz que, mesmo com consentimento escrito, o uso não é recomendado. A avaliação que o paciente deixa no seu perfil do Google é dele, mas levar esse texto para o anúncio ou para o site transforma o depoimento em publicidade sua.

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